Os preços do petróleo caminham para uma queda semanal nesta sexta-feira (27), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estender por 10 dias a pausa nos ataques às instalações energéticas do Irã. Ainda assim, os investidores permanecem cautelosos, já que uma resolução iminente do conflito parecia improvável.
Nesta sexta-feira, os referenciais têm pouca variação após uma sessão anterior de alta. Os contratos futuros do Brent caíam 4 centavos, para US$ 107,97 por barril às 06h08 GMT, enquanto os futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuavam 40 centavos, para US$ 94,08 por barril.
Os futuros do WTI, que subiram 40% desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, caíam 4,6% nesta semana. Já o Brent, com alta superior a 48% desde o início da guerra, recua 4% na semana.
“Apesar das conversas sobre desescalada, o petróleo está sendo negociado com base na duração da guerra, não apenas nas manchetes. Qualquer dano direto à infraestrutura petrolífera ou um conflito prolongado pode forçar os mercados a reajustarem rapidamente os preços para cima”, disse Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova.
Enquanto Trump estendeu até 6 de abril o prazo para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz ou enfrente a destruição de sua infraestrutura energética, os Estados Unidos também enviaram milhares de tropas ao Oriente Médio. Trump avalia ainda a possibilidade de usar forças terrestres para tomar o estratégico polo petrolífero iraniano da Ilha de Kharg.
Um funcionário iraniano disse à Reuters que uma proposta americana de 15 pontos, transmitida a Teerã pelo Paquistão, era “unilateral e injusta”.
A guerra retirou 11 milhões de barris de petróleo por dia da oferta global, com a Agência Internacional de Energia descrevendo a crise como pior do que os dois choques do petróleo da década de 1970 e a guerra entre Rússia e Ucrânia no gás, somados.
Analistas do Macquarie Group disseram que, se a guerra começar a diminuir em breve, os preços do petróleo cairão rapidamente nos próximos meses, mas ainda permanecerão acima dos níveis pré-conflito. No entanto, os preços podem subir para US$ 200 se a guerra se prolongar até o fim de junho, afirmaram.
“Com cada dia que passa, a pressão no mercado aumenta. Países asiáticos estão recorrendo a estoques de reserva e avaliando ajustes na demanda”, disse Mukesh Sahdev, fundador e CEO da consultoria australiana XAnalysts.